Ao fazer meus trabalhos da faculdade acompanho o
pensar de diversos amigos pelas redes sociais, como expectadora. E relâmpagos
de reflexões me vem à mente vez ou outra.
Confesso que ando sem paciência nos últimos tempos
para os diálogos mais quentes. Não porque tenha desistido dos ricos debates
existentes, jamais, debater é algo inato em mim, minha paixão. Mas é que eu,
curto interagir, trocar ideias e conhecer a forma pela qual as pessoas pensam.
E o que presencio, nos diferentes espaços, tanto virtual quanto real. É que as
pessoas apenas querem expor suas verdades, por elas serem coerentes nas suas
bases, acreditam que essas devem ser as tomadas por todos. Aqueles que se
distanciam dessas verdades passam a ser alvo de críticas. É pelo espírito crítico que elaboramos nossos diferentes conceitos. Mas se respeitamos as
diferenças e as compreendemos, seria certo agir assim?
O certo, o errado, o bom
e o ruim no geral são ditados pelas regras e culturas de cada grupo. E a única
coisa que por meio dessa base podemos tomar por errado é querer impor nossas
verdades. Então, não podemos esperar que, nossas verdades sejam as verdades alheias.
Podemos sim, expor o que pensamos por claridade e compartilhemos para quem
quiser, e por livre espontânea vontade possa usufruir delas como lhe convir. E
é exatamente isso que seria o foco desse meu desabafo.
Assim, o que acaba ocorrendo não é uma troca de
ideias, mas, imposições de ideias pelos mais exaltados. Nada é irrefutável,
desde que se argumente pelo seu ponto de vista. Até a ciência que é exata nas
suas descobertas pode ter seus fundamentos balançados, pelo simples fato de nós
alegarmos que, ela é exata até que novas descobertas ocorram e se comprovem da
mesma forma que a anterior. Assim, sempre há brechas,
pontos de vista diferentes, sem que cada um perca seu valor dentro do seu tempo.
Quem quer trocar ideias, as expõe, debate com os
interessados respeitosamente, até que se extraiam todos os questionamentos do
assunto. Mas quando esses mesmos que se interessaram e interagiram com suas
ideias propõem também as suas exposições e ele ignora. Expondo novamente suas
ideias e esperando novamente a participação dos mesmos, num circulo vicioso.
Não está ocorrendo uma troca, é imposição de ideias.
O meu intuito nas trocas de ideias é buscar sempre o
olhar do outro sobre determinado assunto e o sentido que o formou. Com o
objetivo de transformar ou firmar os meus conceitos para compreender o mundo e
suas relações. Contribuindo para que todos os envolvidos possam a partir desses
debates fazerem novas reflexões sobre as diversidades de interpretações
expostas, ou, melhor dizendo, das leituras de mundo particulares de cada um. A partir
disso podemos perceber como as reflexões e as elaborações de conceitos
acontecem na mente humana.
Não pensem que estudo psicologia, até tenho algumas disciplinas sobre, mas não é (risos) .
Na verdade, todos que curtem filosofar, antes de se
pôr a refletir sobre algo, deveriam enveredar na complexidade da mente humana.
Na produção de ações que ela realiza, sobre diversas influências geradas pelo
aspecto religioso, social, econômico e cultural ao qual ela é exposta, desde o
nascimento. E tem quem diga que até mesmo antes de nascer, na concepção, ela já
é influenciada em seu processo, pelas sensações vivenciadas pela mãe.
Voltando ao assuntos: críticas:
Ser um indivíduo crítico é fundamental para a
formação de uma personalidade equilibrada, ampliada em diferentes saberes, pela
busca da compreensão constante, do existir e para que existir. É através da
criticidade que se reflete, diferentes sentidos das ideias e se formam
conceitos cada vez mais complexos e importantes sobre o mundo, a vida e as
coisas dele. Obtém-se assim, um saber expandido, um desenvolvimento mental constante e progressivo. No entanto, há um
risco muito grande nessa ação.
Tenho observado algumas pessoas de pensamentos
nobres e fundamentados pela lógica se fecharem em um mundo de críticas
perigoso. De tal forma, que não conseguem perceber o quanto estão sendo
intolerantes nas suas expressões de liberdades e verdades. Ou, melhor dizendo,
se esquecem de algo essencial à autocrítica. Na vida social é preciso
compreender que para tudo e em tudo há limites, para que, não venhamos
ultrapassar os nossos limites e entrar no espaço e direito do outro.
Desde quando, se instaurou a democracia em nosso país,
há muita confusão de interpretação, quando se refere a isso. Embora a
democracia nos dar o direito da liberdade de expressão, não nos dá o direito de
massacrar o direito de expressão do outro. Não podemos esquecer que todos tem
livre arbítrio. Assim, temos de ser respeitosos e cautelosos quando a
necessidade solicitar nossas críticas. Ser críticos como tudo nos exige
responsabilidades e maturidade intelectual. E isso independe de idade, mas de
bom senso. Para quem lê escrituras bíblicas tem algo lá que fala sobre, que
seremos julgados com o mesmo peso ao qual jugamos, “mesmo peso mesma medida”,
assim, não podemos esquecer de que, quando criticamos também estamos julgando. Então, sejamos tolerantes, benevolentes e
compreensivos ao olhar o nosso próximo e a expressarmos nossas críticas. Tomá-las para refletir é saudável, apenas cuidado para não usá-la no sentido de julgamento. Os passos que nossos olhos enxergam nos outros como falsos podem ser firmes a eles.