Alguns costumam chamar aqueles que não são religiosos ou
pertencentes à outra religião que não a sua de: descrentes, hereges, perdidos,
anticristo, errados, pecadores, condenados, entre outros. Ou seja, discriminam!
Ponto que, a meu ver não faz sentido para uma personalidade cristã!Que é tentar
ser humano e praticar paz através do sentimento do amor.
Então, cada instituição religiosa possui suas diferenças segundo
suas interpretações bíblicas, ou, melhor dizendo, segundo o foco em essência
que dão para algumas passagens em específico dentro dela.
Cada
uma trás um sentido diferente para a "palavra de Jesus" dentro dos
textos que perpetuaram no tempo, segundo a história assim se supõe, pois esses
textos passaram por traduções, provém de outra linguagem, de outra cultura e
sociedade, por tanto, passiva de ter sofrido adulterações no sentido original
das mensagens. Conservemos aquilo que podemos retirar em essência para luz das
nossas reflexões. De forma a utilizar essas na nossa realidade atual. Para
compreender as relações e o mundo em que vivemos. O resto são vestígios de
práticas sociais utilizadas na época em que os fatos descritos se passaram. Não
deve ser considerada, pois essas faziam parte daquele tempo e de outro grupo
social e cultural. Hoje, temos outro entendimento do processo das coisas, devido
ao expansivo poder compreensivo, reflexivo e investigativo que desenvolvemos no
nosso aprimoramento humano. A história nos mostra isso em tudo que venhamos a
acompanhar. Exemplo, cada país, sociedade, tem conceitos e entendimentos
diferentes das coisas segundo o tempo em que vivem. Porque deveríamos levar ao
pé da letra formas de viver de séculos atrás?Só porque está descrita dentro dos
registros bíblicos, porque aparece junto ao relato da suposta passagem do filho
de Deus pela terra, suposto sim, pois há os que creem nisso e os que não creem
e esses têm seus motivos para isso. É a história de um povo antigo
registrada em folhas, assim, como qualquer outro registro. O que faz essas
palavras sagradas ou não, são cada um de nós. Isso deve ficar bem claro, para que possamos respeitar uns aos outros!
Com
relação às diferenças doutrinárias das religiões, existem porque há diferentes
pessoas e entendimento para as coisas, pegando cada uma delas e comparando com
a mesma congregação em outros países, de outras culturas, teremos ainda mais
diferenças. A diferença faz parte do mundo. E deve ser respeitada. O que se
deve ter controle é dos abusos, imposições, atitudes de cada grupo para com os
outros, que não firam os direitos coletivos ou individuais de seus opostos. Bom!
Com
base nisso, gostaria de ressaltar que, não se deixa de ter ou não fé, crer ou
não crer, por não ser religioso ou não pertencer a uma instituição religiosa,
porque a fé como tudo no mundo carrega diferenças. Ter fé não significa só à
pessoa ser religiosa, a palavra exprime outros entendimentos e sentido. Seu
sinônimo é crer, acreditar. Se um indivíduo acredita em si mesmo, ele tem fé.
Instituições
religiosas são como comunidades específicas que reúnem um
determinado grupo de mesma crença, de mesma fé, contendo indivíduos que se
identificam pela ideologia. E que se mantém pelas afinidades de pensamento que
compartilham. Assim, quem pertence a uma, não pode desmerecer a outra ou
aquele que não pertence a nenhuma. Apenas não comungam de iguais ideias, tem
diferente pensar, mas qual o problema, não somos diferentes uns dos outros?
Aceitar as diferenças é fazê-los em todos os sentidos. Aceitar as diferenças em
todos os sentidos é não ser preconceituoso. É amar ao próximo como a si
mesmo.
Fala-se muito hoje, e é uma luta maravilhosa, em inclusão de
indivíduos especiais que possuem diferenças física, psicológicas, genéticas,
cognitivas, em fim. Entretanto muitos desses, ao mesmo tempo, acham um absurdo
os indivíduos pensarem diferente, ter outros conceitos de fé, comportamento, preferências
que não sejam as suas. Ora! Ora! Ou respeitamos as escolhas, aceitamos as
diferenças e aprendemos a nos posicionar com o intuito de interação produtiva
com o outro ou nos assumimos como preconceituosos e hipócritas.
Muitos já me perguntaram se em todas as interpretações sobre
Jesus, ele em si, nos orienta a simplicidade, humildade e justiça, ao amor, ao
desfazer do orgulho, ao ostentar arrogância, soberba, manda refletir
julgamentos e condenações. Como podem elementos reunir-se numa instituição que
explora a fé que se aproveita da crença alheia para construir templos
grandiosos, ganhar status, poder e domínio. Que ostentam riquezas e exaltam
mais a materialidade do que a espiritualidade que é a alma da definição
religiosa. Mesmo diante das misérias no mundo que poderiam amenizar com esses
gastos supérfluos, os quais arrumam pretextos dos mais diversos para justificar
esses excessos?
Eu
costumo responder a esse questionamento de forma simples,embora também já o fiz em meio a muita estranheza com as contradições, posso dizer que custei para
elaborar meus próprios conceitos sobre, mas cheguei lá mantendo um olhar aberto, sem limites. Em nome da minha busca pela libertação
de preconceitos, tabus e moralidade sem sentido para compreensão das ações
humanas, principalmente as minhas. No intuito de aceitar a mim mesma, meus
diferentes de todas as formas e entender nosso significado na existência.
Concluí que, essas diferentes instituições religiosas existem justamente porque
existem diferentes pessoas, Ora! E essas se diferenciam em compreensão segundo
suas visões, criadas ao longo da construção de sua personalidade no tempo.
Aceitam as justificativas dos exploradores por ver razões nelas, ou melhor, agiriam
da mesma forma no lugar deles. Se um membro de uma religião, diante da miséria
do mundo, não se envergonha em orar em templos grandiosos, acham que isso é
útil para fé, esquecendo-se de Jesus na sua simplicidade. Porque essas são tão
soberbas quanto seus líderes, mesmo as que são leigas,não refletem, são de
certa forma como eles, pois essas se identificam nesse lugar com esse líder. Por
esse olhar, talvez religiões nesse perfil não explorem a fé em nome de bens
materiais. Porque aqueles que vemos como explorados não se veem dessa forma. Veem-se
colaborando com ações nas quais eles apoiam, acreditam e acham justas. Embora
nós não vejamos! Pensando como respeitadores das diferenças, temos de entender,
que os líderes religiosos apenas dão uma opção de cultuar, de praticar e usar a
fé aos diferentes indivíduos. Esse ao se identificar com uma instituição
religiosa acaba por fazer parte dela, por compactuar com o que é oferecido, com
suas regras, formas e sistemas. Pensa similar aos líderes, acordam e acham
normal sua atitude porque se fossem esses fariam o mesmo. Nesse olhar, não há
vitimas, não há exploração, não há instituição errada, apenas um grupo certo
que pensa diferente do meu pensar do que é certo. O fato de eu não me
identificar com algumas lideranças religiosas, achar errado, trata da minha
verdade e essa não faz a do outro errado, apenas "eu não me encaixo nessas
verdades". Por isso há várias religiões e todas elas devem ser
respeitadas bem como cada elemento dentro dessas, pois esses se sentem acolhido
e responde ao ambiente que lhe é compatível segundo seu nível de pensamento, de
entendimento de mundo. O que importa é que objetivo seja o mesmo, ter fé em algo
para melhorarem a sua vida, as suas ações e porque não o mundo.
Tentando entender o universo dessa questão, entender essas
ocorrências, conseguimos entender somente uma coisa, a nós mesmos. Na verdade,
pensando bem, sem os "supostos" erros, não se chegaria aos
"supostos" acertos. Sem as supostas mentiras, não existiriam as
supostas verdades. Sem o mal não buscaríamos o bem. Sem o negativo não identificaríamos
o positivo. O antônimo não existiria sem o sinônimo. E assim por
diante...
Percebam que, o oposto, as diferenças, as comparações, tudo é
necessário como referência na aprendizagem cognitiva. Então, tenhamos fé cada
um a nossa maneira!
Ninguém,
por mais diplomas que acumulem na vida, por mais conhecimento que sua mente
possa armazenar ao longo dela. Nunca saberá tudo! Nunca penses que
viveu tudo. Porque tudo é como o infinito e para chegar a ele, conhecê-lo,
teríamos de possuir um processo mental desenvolvido que ultrapassasse os limite da
matéria, daquilo que vemos,compreendemos e passa a existir pra nós. A própria matéria nos impede disso, nos encarcera. E a limitação dos
pensamentos que nós colocamos em nós mesmos, convictos de conclusões
invioláveis. Limitam também nosso saber. Não percebemos que o espaço que
ocupamos na existência, nos condiciona, por maior que seja não é o mundo todo,
não é o infinito. Por tanto, não sejamos orgulhosos!Sempre teremos coisas, a saber, a compreender!