“- Quando derdes esmola, não saiba a
vossa mão esquerda o que faz a vossa mão direita; - a fim de que a esmola fique
em segredo, e vosso Pai, que vê o que se passa em segredo, vos recompensará”. -
(S. MATEUS, cap. VI, vv. 1 a 4.)
Então, parece-me que muitos cristãos
pulam essa parte ao estudar a bíblia. Nessa frase, está claro que não devemos
fazer as coisas para os outros e sair ostentando ou querer agradecimentos e
méritos por tal ato nobre. Tem muitos que justificam não dar uma esmola, porque
aquele indivíduo é um drogado, dependente, vagabundo, não sai daquela vida
porque não quer, é novo deve se virar, em fim, há inúmeras justificativas que
usam para virarem as costas para as necessidades alheia. Outros fazem, mas
querem reconhecimento, não é raro reclamarem daquele a quem ajudaram, e não
lhes “retribuem” a “suposta bondade”, a suposta “doação”. Ninguém é “obrigado”
a retribuir um bem, isso, se chama trocas. Caridade é demonstração de amor, exemplo de afeto e esse gesto basta por si só, não precisamos de retorno maior que nosso prazer em exercitá-lo, não importa com quem, onde ou de que forma. A caridade não pode ser vista como troca de favores. Eu preciso
repassar uma ação boa, não necessariamente para quem me fez a ação. Importa que
sejamos bons, de forma espontânea. Assim como nunca necessitei dar meu nome para aquele que estendi a mão. Eu nunca memorizei quem me doou isso ou
aquilo, apenas tenho uma imensa gratidão “por todos”. Sei da importância de
estarmos passando por momentos de necessidades e aflições e chegar alguém do
nada, muitas vezes que nem te conhece a te ofertar, exatamente àquilo que te
faltava de essencial. Dando-te uma luz para seguir adiante. Essas pessoas são enviadas
de Deus, o sentimento que me transbordou a alma de conforto é seu presente, seu
retorto. E Deus percebe isso, sabe disso! Desta forma uma doação não se torna
uma troca. Essa é verdadeira caridade e a verdadeira retribuição. Devemos
reconhecer sim, todos esses irmãos que sabemos o primeiro nome apenas, e
lembrar como encheram nossos corações de alegrias com sua boa ação
desinteressada. E da mesma forma repassar essa ação para o máximo de pessoas
possíveis dando a mesma satisfação que outrora nos deram. Sempre que uma oportunidade
aparecer. Nunca espere ter sobrando para doar. Reparta o que tens! Mas não espere retorno, oferte coisas boas, porque te faz feliz, te
dá prazer. Essa é a verdadeira boa ação. Faça sem esperar reconhecimento, não
fazemos por que precisamos fazer, para que Deus nos salve, simplesmente devemos
fazer, porque sentimos amor, e só esse “sentimento” que nos livra do mal em nós
mesmo. Ninguém nos salva ou condena, nossos sentimentos empregados nas nossas
ações se encarregam disso! Pensem!