“ A túnica usada por Jesus era inconsútil: não tinha costuras.
Queremos nessa particularidade da veste do Senhor um símbolo sugestivo
que se aplica a sua Doutrina.
O Cristianismo é um corpo doutrinário sem remendos, sem peças
justapostas. É um todo harmônico, inteiriço perfeito. A moral do crucificado
não tem aspectos divergentes, não tem ambiguidades. Não tem contradições. É uma
moral pura, sã, completa, imaculada. O verbo de Deus encarnado não emitiu sons
discordantes, não enunciou frases dúbias, não articulou palavras ocas, não
produziu ecos confusos. Foi claro, conciso, congruente, positivo e firme.
Donde vêm, então, as intermináveis cisões entre os credos que militam
sob a rubrica do Cristianismo? Donde vem essa confusão que lavra do seio dessas
igrejas que se dizem cristãs, adotando doutrinas e princípios heterogêneos?
Donde vem essa rivalidade entre aqueles que deveriam ser exemplo cordura, de
harmonia e de paz?
A rivalidade, a confusão, o cisma vem da ignorância, do orgulho e do
preconceito dessas igrejas que, do Cristianismo, tomaram somente o título. Tem
origem na ambição no egoísmo insondável do homem, que tudo procura amoldar as
exigências insaciáveis de seus mesquinhos interesses. Funda-se, finalmente, no
fato dessas religiões não haverem ainda descoberto que a túnica do mestre era
inconsútil, não tinha costuras, não era composta de pedaços, mas representava
um todo completo, rematado, perfeito. Tais predicados caracterizavam o
Cristianismo de Jesus.
Em quanto as igrejas se digladiarem estarão com isso, demonstrando
cabalmente não haverem atingido o ideal sublime dá igreja do amor.
A túnica do príncipe das trevas é composta de retalhos e fragmentos, de
tira justa posta. É a figura da confusão, da desarmonia, das rivalidades
infindáveis, das separações, das hostilidades.
A túnica do príncipe da paz é inconsútil não tem costura para forçar a
adesão de retalhos, de partes entre si destacadas. É a imagem da harmonia, o
símbolo da verdade, a alegoria da união integral e perfeita, o emblema da
confraternização irmanando os homes numa só e única família.”
(Nas pegadas do Mestre – Vinícius)