domingo, 1 de abril de 2012

Aceitar as diferenças é respeitar aos diferentes, sem que deixem de ser nossos iguais.


Alguns costumam chamar aqueles que não são religiosos ou pertencentes à outra religião que não a sua de: descrentes, hereges, perdidos, anticristo, errados, pecadores, condenados, entre outros. Ou seja, discriminam! Ponto que, a meu ver não faz sentido para uma personalidade cristã!Que é tentar ser humano e praticar paz através do sentimento do amor.
Então, cada instituição religiosa possui suas diferenças segundo suas interpretações bíblicas, ou, melhor dizendo, segundo o foco em essência que dão para algumas passagens em específico dentro dela.

Cada uma trás um sentido diferente para a "palavra de Jesus" dentro dos textos que perpetuaram no tempo, segundo a história assim se supõe, pois esses textos passaram por traduções, provém de outra linguagem, de outra cultura e sociedade, por tanto, passiva de ter sofrido adulterações no sentido original das mensagens. Conservemos aquilo que podemos retirar em essência para luz das nossas reflexões. De forma a utilizar essas na nossa realidade atual. Para compreender as relações e o mundo em que vivemos. O resto são vestígios de práticas sociais utilizadas na época em que os fatos descritos se passaram. Não deve ser considerada, pois essas faziam parte daquele tempo e de outro grupo social e cultural. Hoje, temos outro entendimento do processo das coisas, devido ao expansivo poder compreensivo, reflexivo e investigativo que desenvolvemos no nosso aprimoramento humano. A história nos mostra isso em tudo que venhamos a acompanhar. Exemplo, cada país, sociedade, tem conceitos e entendimentos diferentes das coisas segundo o tempo em que vivem. Porque deveríamos levar ao pé da letra formas de viver de séculos atrás?Só porque está descrita dentro dos registros bíblicos, porque aparece junto ao relato da suposta passagem do filho de Deus pela terra, suposto sim, pois há os que creem nisso e os que não creem e esses têm seus motivos para isso. É a história de um povo antigo registrada em folhas, assim, como qualquer outro registro. O que faz essas palavras sagradas ou não, são cada um de nós. Isso deve ficar bem claro, para que possamos respeitar uns aos outros!
Com relação às diferenças doutrinárias das religiões, existem porque há diferentes pessoas e entendimento para as coisas, pegando cada uma delas e comparando com a mesma congregação em outros países, de outras culturas, teremos ainda mais diferenças. A diferença faz parte do mundo. E deve ser respeitada. O que se deve ter controle é dos abusos, imposições, atitudes de cada grupo para com os outros, que não firam os direitos coletivos ou individuais de seus opostos. Bom!

Com base nisso, gostaria de ressaltar que, não se deixa de ter ou não fé, crer ou não crer, por não ser religioso ou não pertencer a uma instituição religiosa, porque a fé como tudo no mundo carrega diferenças. Ter fé não significa só à pessoa ser religiosa, a palavra exprime outros entendimentos e sentido. Seu sinônimo é crer, acreditar. Se um indivíduo acredita em si mesmo, ele tem fé.
Instituições religiosas são como comunidades específicas que reúnem um determinado grupo de mesma crença, de mesma fé, contendo indivíduos que se identificam pela ideologia. E que se mantém pelas afinidades de pensamento que compartilham.  Assim, quem pertence a uma, não pode desmerecer a outra ou aquele que não pertence a nenhuma. Apenas não comungam de iguais ideias, tem diferente pensar, mas qual o problema, não somos diferentes uns dos outros? Aceitar as diferenças é fazê-los em todos os sentidos. Aceitar as diferenças em todos os sentidos é não ser preconceituoso. É amar ao próximo como a si mesmo. 
Fala-se muito hoje, e é uma luta maravilhosa, em inclusão de indivíduos especiais que possuem diferenças física, psicológicas, genéticas, cognitivas, em fim. Entretanto muitos desses, ao mesmo tempo, acham um absurdo os indivíduos pensarem diferente, ter outros conceitos de fé, comportamento, preferências que não sejam as suas. Ora! Ora! Ou respeitamos as escolhas, aceitamos as diferenças e aprendemos a nos posicionar com o intuito de interação produtiva com o outro ou nos assumimos como preconceituosos e hipócritas. 

Muitos já me perguntaram se em todas as interpretações sobre Jesus, ele em si, nos orienta a simplicidade, humildade e justiça, ao amor, ao desfazer do orgulho, ao ostentar arrogância, soberba, manda refletir julgamentos e condenações. Como podem elementos reunir-se numa instituição que explora a fé que se aproveita da crença alheia para construir templos grandiosos, ganhar status, poder e domínio. Que ostentam riquezas e exaltam mais a materialidade do que a espiritualidade que é a alma da definição religiosa. Mesmo diante das misérias no mundo que poderiam amenizar com esses gastos supérfluos, os quais arrumam pretextos dos mais diversos para justificar esses excessos?
Eu costumo responder a esse questionamento de forma simples,embora também já o fiz em meio a muita estranheza com as contradições, posso dizer que custei para elaborar meus próprios conceitos sobre, mas cheguei lá mantendo um olhar aberto, sem limites. Em nome da minha busca pela libertação de preconceitos, tabus e moralidade sem sentido para compreensão das ações humanas, principalmente as minhas. No intuito de aceitar a mim mesma, meus diferentes de todas as formas e entender nosso significado na existência. Concluí que, essas diferentes instituições religiosas existem justamente porque existem diferentes pessoas, Ora! E essas se diferenciam em compreensão segundo suas visões, criadas ao longo da construção de sua personalidade no tempo. Aceitam as justificativas dos exploradores por ver razões nelas, ou melhor, agiriam da mesma forma no lugar deles. Se um membro de uma religião, diante da miséria do mundo, não se envergonha em orar em templos grandiosos, acham que isso é útil para fé, esquecendo-se de Jesus na sua simplicidade. Porque essas são tão soberbas quanto seus líderes, mesmo as que são leigas,não refletem, são de certa forma como eles, pois essas se identificam nesse lugar com esse líder. Por esse olhar, talvez religiões nesse perfil não explorem a fé em nome de bens materiais. Porque aqueles que vemos como explorados não se veem dessa forma. Veem-se colaborando com ações nas quais eles apoiam, acreditam e acham justas. Embora nós não vejamos! Pensando como respeitadores das diferenças, temos de entender, que os líderes religiosos apenas dão uma opção de cultuar, de praticar e usar a fé aos diferentes indivíduos. Esse ao se identificar com uma instituição religiosa acaba por fazer parte dela, por compactuar com o que é oferecido, com suas regras, formas e sistemas. Pensa similar aos líderes, acordam e acham normal sua atitude porque se fossem esses fariam o mesmo. Nesse olhar, não há vitimas, não há exploração, não há instituição errada, apenas um grupo certo que pensa diferente do meu pensar do que é certo. O fato de eu não me identificar com algumas lideranças religiosas, achar errado, trata da minha verdade e essa não faz a do outro errado, apenas "eu não me encaixo nessas verdades". Por isso há várias religiões e todas elas devem ser respeitadas bem como cada elemento dentro dessas, pois esses se sentem acolhido e responde ao ambiente que lhe é compatível segundo seu nível de pensamento, de entendimento de mundo. O que importa é que objetivo seja o mesmo, ter fé em algo para melhorarem a sua vida, as suas ações e porque não o mundo.
Tentando entender o universo dessa questão, entender essas ocorrências, conseguimos entender somente uma coisa, a nós mesmos. Na verdade, pensando bem, sem os "supostos" erros, não se chegaria aos "supostos" acertos. Sem as supostas mentiras, não existiriam as supostas verdades. Sem o mal não buscaríamos o bem. Sem o negativo não identificaríamos o positivo. O antônimo não existiria sem o sinônimo. E assim por diante...
Percebam que, o oposto, as diferenças, as comparações, tudo é necessário como referência na aprendizagem cognitiva. Então, tenhamos fé cada um a nossa maneira!
Ninguém, por mais diplomas que acumulem na vida, por mais conhecimento que sua mente possa armazenar ao longo dela. Nunca saberá tudo! Nunca penses que viveu tudo. Porque tudo é como o infinito e para chegar a ele, conhecê-lo, teríamos de possuir um processo mental desenvolvido que ultrapassasse os limite da matéria, daquilo que vemos,compreendemos e passa a existir pra nós. A própria matéria nos impede disso, nos encarcera. E a limitação dos pensamentos que nós colocamos em nós mesmos, convictos de conclusões invioláveis. Limitam também nosso saber. Não percebemos que o espaço que ocupamos na existência, nos condiciona, por maior que seja não é o mundo todo, não é o infinito. Por tanto, não sejamos orgulhosos!Sempre teremos coisas, a saber, a compreender!

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